quinta-feira, 25 de abril de 2013

Nem São Jorge salva



Eu tinha o Sant Jordi para relatar. Eu tinha de falar de rosas e de livros, das ruas decoradas de Barcelona, apinhadas de gente. Eu tinha de falar de como o sol resolveu despontar, finalmente, depois de um inverno mais alargado que o esperado. Mas vou falar de futebol, que há muito tempo desapareceu do meu itinerário literário.

Eu quero falar de futebol, acima de tudo, porque os alemães Bayern Münich e Borussia Dortmund merecem essa atenção. Acho que foi o Paulo Vinícius Coelho que disse que o Bayern, para ser a melhor equipe do mundo, ainda precisa ganhar a Champions League e manter o alto nível por dois, três anos. Vencer o Barça, com total domínio, provocou um frenesi em gregos e troianos. Mas o 4-0 triunfal não apaga a história recente do clube catalão, não define o fim de uma “Era” – como muitos quiseram sentenciar – nem faz do time bávaro o melhor do mundo assim, instantaneamente.

Se assim fosse, o Borussia podia reclamar o título de segundo melhor escrete atual ao superar o Real Madrid. Mas os aurinegros não desfrutam desta posição. Podem até cavalgar senhores de si em direção ao topo, mas ainda falta chão – a única verdade posta e indefectível é de que se trata da equipe mais bem posicionada taticamente desta temporada e os louros da fama devem ser divididos com o treinador Jürgen Klopp.

Enquanto isso, nossa estimada seleção canarinho tropeça na “pelota” e dá uma bicuda na autoestima do brasileiro. A Família Scolari é uma tragicomédia pastelão, encabeçada por Neymar, o menino prodígio supervalorizado por tudo e todos. E pensar que um dia, há não muito tempo, chegaram a querer compará-lo com Messi e Cristiano Ronaldo. O santista está muito aquém do argentino e do português, e ouso dizer: atrás de pelo menos uns dez atacantes da contemporaneidade: de Cavani a Van Persie, de Agüero a Ribéry.

Quase a um ano da Copa do Mundo, já sabemos que brigamos para fazer o menos feio possível. Nunca nos sentimos tão desvalorizados e sem esperança, ainda mais com tantas falcatruas e maracutaias que circunda o Circo do Futebol Brasileiro e o Comitê do Mundial. Romário é nosso avançado solitário na batalha contra os cartolas-ditadores; enquanto isso, caminhamos rumo ao fiasco dentro e fora dos gramados. Uma conta que será paga pelo cidadão comum: mais pobre e mais triste. E aqui na Europa ainda ousam noticiar um crescimento econômico, quando o crescimento mental parece uma utopia.

E faltando ao onze contra onze, nem vale a pena pensar que ser brasileiro já foi orgulho de saber tratar bem a redonda. Nem São Jorge salva.

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